"Muito chato, muito vulgar, muito violento", diz a esposa quando o marido tenta ligar um desses filmes.
Mas no momento em que ela sai para fazer recados ou vai para a cama mais cedo, ele volta secretamente às histórias que lhe falam numa linguagem que só os homens entendem. Histórias sobre solidão, crises da meia-idade e desespero silencioso que as mulheres descartam como deprimentes, mas que os homens reconhecem como revelações.
Nós do estrelina.com compilámos uma coleção de filmes que os homens veem em orgulhosa solidão, limpando secretamente as lágrimas e pensando: "Finalmente, alguém que percebe."
American Beauty (1999)
Kevin Spacey interpreta um homem no meio de uma crise da meia-idade. Apaixona-se pela amiga da filha e começa a rebelar-se contra a sua vida ordenada. É um filme sobre como por baixo da fachada perfeita da vida familiar americana se escondem desilusões, desejos reprimidos e desespero silencioso.
Cena de "American Beauty"
A personagem principal faz aquilo com que muitos homens apenas sonham – abandona o emprego que lhe está a sugar a alma, vai para o ginásio, entrega-se aos vícios e diz à mulher a verdade brutal. É uma fantasia sobre mandar às urtigas as expectativas sociais e finalmente viver para si próprio. Além de um olhar honesto sobre como o casamento pode transformar-se numa formalidade vazia.
Drive (2011)
Ryan Gosling é um dublê silencioso que trabalha como condutor de fuga nas horas vagas. Diálogo mínimo, atmosfera máxima – as luzes néon de LA, banda sonora synthwave e tensão que vai crescendo lentamente.
Cena de "Drive"
A personagem de Gosling aqui é o "tipo fixe" perfeito: poucas palavras, total profissional, perigoso mas com uma bússola moral clara. Os homens veem-se nele no seu melhor – o solitário que tem tudo controlado. Além de pura estética cinematográfica sem explicações desnecessárias.
About Schmidt (2002)
Jack Nicholson interpreta um agente de seguros recém-reformado. A mulher morre subitamente. Sozinho, parte numa viagem de carro até à filha e repensa toda a sua vida.
Jack Nicholson em "About Schmidt"
Este é um retrato dolorosamente honesto da solidão masculina e do medo de envelhecer. O filme faz perguntas que atormentam muitos homens: "E se toda a minha vida não teve sentido?" Schmidt é um espelho para aqueles que temem acabar no lugar dele, mas que se reconhecem nele.
Gran Torino (2008)
Clint Eastwood aparece diante dos espectadores como um veterano amargurado da Guerra da Coreia, racista e misantropo que detesta todos à sua volta. Através do amor partilhado por um Ford Torino vintage, desenvolve uma amizade improvável com o adolescente Thao. Gradualmente, o velho torna-se protetor do seu novo amigo e da sua família contra gangues de rua.
Cena de "Gran Torino"
Este é um filme sobre um homem que tem o direito de estar zangado com o mundo e dizer a verdade na cara de toda a gente. Os homens veem na personagem de Eastwood uma figura avô tóxica mas querida – ele pode praguejar, ser politicamente incorreto e continuar a ser o herói. É uma fantasia sobre mandar às urtigas a tolerância e viver pelas regras masculinas da velha escola. Além disso, há a história sobre mentoria e transmissão da sabedoria masculina para a próxima geração.
Birdman (2014)
Para Michael Keaton, isto é parcialmente autobiográfico: ele interpreta um ator que já foi estrela de um blockbuster de super-herói e agora tenta encenar uma peça séria na Broadway. O filme é rodado como uma única tomada contínua e mostra os demónios interiores de um ator envelhecido, a sua luta pelo reconhecimento artístico e as tentativas de provar que é mais do que apenas "um tipo com uma máscara de super-herói".
Michael Keaton em "Birdman"
É um retrato cru do medo masculino de ser ofuscado por conquistas passadas. Todo o homem teme que os seus melhores anos tenham ficado para trás, que esteja "preso" num só papel: pai, marido, trabalhador de escritório. A personagem de Keaton luta pelo direito de ser algo mais, e as suas vozes interiores e alucinações refletem a luta masculina contra a insignificância.
Hachi: A Dog's Tale (2009)
A personagem principal (Richard Gere) é um professor que encontra um cachorro Akita na estação de comboios. Todos os dias, o cão acompanha o dono ao trabalho e encontra-o no mesmo local. Quando o professor morre subitamente de um ataque cardíaco, Hachi continua a vir à estação e a esperar pelo seu regresso até à sua própria morte.
Richard Gere em "Hachi: A Dog's Tale"
Este filme faz homens adultos chorarem como bebés. É exatamente por isso que o veem sozinhos quando a cara-metade não está por perto. Não podem deixar ninguém vê-los a chorar por "apenas um cão"!
É o ideal de lealdade e devoção incondicionais que os homens valorizam acima de tudo, mas raramente recebem das pessoas. Hachi encarna o sonho masculino de ter alguém à espera em casa, aconteça o que acontecer. Além disso, a história continua a tocar na filosofia japonesa da honra e dever samurai.