No início, ela só queria lutar. Sem plano B, sem rede de apoio, sem segurança. Apenas entrar no ringue e provar — a si mesma, ao mundo, a todos que não acreditavam — que ela conseguia.
Maggie Fitzgerald é uma empregada de mesa do lado errado da cidade que sonha em se tornar uma boxeadora de sucesso. É teimosa como uma mula e está pronta para abrir caminho a socos até realizar esse sonho.
Então ele aparece na vida dela — um velho rabugento com olhos cansados, o treinador de boxe Frankie Dunn. Mas ele não precisa de mais um fracasso nas suas mãos. Especialmente não com uma mulher. No entanto, Maggie consegue provar que não é apenas mais uma aluna, mas um verdadeiro génio do boxe.
"Million Dollar Baby" não é realmente sobre desporto. Bem, não apenas sobre desporto. Este é um filme sobre confiança que se constrói devagar, como músculos que se curam após uma lesão. Sobre solidão que se torna tão familiar quanto o som do sino do boxe após anos. Sobre dor que eventualmente deixa de ser física. Sobre amor — amor complicado e silencioso.
Hilary Swank interpreta Maggie com tal precisão que jurarias que ela realmente viveu tudo aquilo: a fome, a solidão, a devoção fanática a um sonho. Ela praticamente desaparece na personagem. E merece completamente o seu segundo Óscar.
O final parte-te o coração. Não porque seja trágico — há muitos finais trágicos no cinema. Mas porque é honesto. Porque nenhum dos lados tenta arranjar desculpas. Porque no ringue da vida, às vezes não é a força que vence, mas a escolha. E é exatamente aí que entendes porque este filme se tornou um dos maiores da história. Não é sobre heroísmo — é sobre humanidade.
"Million Dollar Baby" tem 90% de críticas positivas no Rotten Tomatoes e uma classificação de 8.1 em 10 no IMDb. Ganhou quatro Óscares, incluindo Melhor Filme e Melhor Atriz.
Mas o que importa mais — tocou milhões de espectadores em todo o mundo. Porque lá no fundo, todos queremos acreditar que mesmo que ninguém nos esteja à espera, mesmo que ninguém nos apoie, um dia alguém vai aparecer e dizer: "Acredito em ti." Anteriormente no estrelina.com falámos-vos sobre "The Last Samurai" — o filme de ação mais tocante sobre samurais.