Numa entrevista com a LA Weekly (publicada originalmente em 1992), Quentin confessou que não queria mais ver filmes de David Lynch. Nunca mais. Mesmo tendo sido um grande admirador dele no passado.
Eu não critico outras pessoas. Mas depois de ver Twin Peaks: Fire Walk with Me em Cannes, David Lynch desapareceu tanto no próprio umbigo que não tenho vontade nenhuma de ver outro filme do David Lynch até ouvir algo diferente. E sabem, eu adorava-o. Adorava-o, disse Tarantino.
Do que fala o filme
Este filme não é uma sequela da série — é uma prequela. A história segue os últimos dias da vida de Laura Palmer, a mesma estudante cujo assassinato desencadeia toda a saga de Twin Peaks.Lynch mostra como o seu mundo se desmorona lentamente: família, amigos, paz interior. Laura, interpretada por Sheryl Lee, já não é o anjo luminoso, mas uma rapariga frágil, destroçada e perdida.
O filme, como Tarantino mencionou, foi exibido em Cannes. Isso foi em '92. Segundo a Wikipedia, as reações do público ao filme foram mistas.
O próprio Lynch disse que Twin Peaks: Fire Walk with Me foi vaiado após a exibição, enquanto a imprensa americana o criticou pela
sua retratação explícita e vívida da violência parental, ausência de personagens queridas e estilo surrealista.
O Que Dizem os Críticos
As opiniões estão divididas. E muito. No Rotten Tomatoes, o filme tem 65% de aprovação dos críticos e 78% do público, enquanto no IMDb recebe 7,3 de 10.Os críticos dividem-se em dois grupos. Alguns estão convencidos de que é a obra-prima de Lynch. Outros acham que o filme morreu antes mesmo da primeira fala ser proferida.
"O filme parece interminável, mesmo sabendo o final antecipadamente," — Chicago Tribune para o RT.
"Uma prequela da série de TV cult de David Lynch, na qual o famoso realizador aparece num estado invulgarmente deprimido," — TV Guide para o RT.
"Para quem está disposto a ir até ao fim com Lynch, a viagem a Twin Peaks vale a pena," — Orlando Sentinel para o RT.
O Que Pensa o Público?
Aqui é que fica ainda mais interessante. Há quem não conseguiu terminá-lo — demasiado pesado, demasiado sombrio, demasiado estranho. E há quem considere o filme um clássico de culto.
Muitos reconhecem: este é um filme de dor. É cinema que não explica — apenas piora as coisas. Mas se reconheceres algo de ti neste inferno, fica contigo para sempre.
Por que razão Tarantino se afastou de Lynch? Talvez porque esperasse algo diferente. Respostas, lógica, um enredo coerente. Mas deixem-me lembrar a todos: Lynch não é sobre clareza. É sobre intuição, medo e mistérios que é melhor deixar como mistérios.
E se estás pronto para um filme que perturba, atormenta e não explica — experimenta. Só não te esqueças de apagar as luzes. E certifica-te de que realmente queres saber o que estava a acontecer com Laura Palmer antes daquele dia fatídico. Anteriormente no estrelina.com, escrevemos sobre o filme que Quentin Tarantino chamou o seu pior. Mas eu adoro-o.