Porque Tenho Demasiado Medo de Ver Este Filme Que Foi Considerado o Melhor do Século XXI

Ele se aproxima demais da realidade...

Para "a tua" realidade. Tão perto que queres recuar. Fingir que não é sobre ti. Ou, pelo contrário, puxá-la ainda mais para perto.

É exatamente assim que funciona "Parasite" de Bong Joon-ho — o filme que The New York Times recentemente chamou de melhor filme do século XXI. E percebo porquê. Mas honestamente? Ainda tenho medo de o rever.

Isto não é apenas um filme sobre pobres e ricos

O enredo de "Parasite" soa quase como uma lenda urbana: uma família pobre infiltra-se na casa de uma família rica e gradualmente vai ocupando cada vez mais espaço lá.

Mas quanto mais fundo escavas, mais claro fica: isto não é sobre astúcia ou inveja de classe. É sobre uma escada invisível que nunca conseguirás subir, por mais inteligentemente que manobres.

Segundo o crítico de cinema Mark Johnson da "Awards Daily", o filme é um comentário inteligente e inventivo sobre o problema da desigualdade económica na Coreia do Sul. A razão pela qual este filme funciona é que tal sistema existe nas sociedades de todos os países.

Horror na verdade

Normalmente os filmes assustam-te com o que pode acontecer. Fantasmas, assassinos, monstros à espreita nas esquinas — todos estes são medos do mundo da fantasia. Assustam, mas não ficam por perto. Depois dos créditos finais, podes respirar aliviado.
Dois homens e duas mulheres em roupa casual de casa estão sentados à mesa e a sorrir
A família Kim de "Parasite"
Mas "Parasite" assusta-te com o que já está a acontecer. Agora mesmo. Atrás da parede. Ou um andar abaixo. Não há sustos aqui, mas há horror quotidiano — o tipo que silenciosamente se arrasta pelos cantos da tua própria vida.

É o horror de viver numa semi-cave onde até a luz solar é uma visita rara. O horror de não saber como pagar a internet. Quando a tua casa de banho inunda com esgoto e não há nada que possas fazer. Ouvir pessoas ricas torcerem o nariz ao teu cheiro — e perceber que não tens culpa, mas isso de alguma forma só piora tudo.

"Parasite" não é horror — é ansiedade social levada ao ecrã. E é por isso que é mais assustador que qualquer monstro inventado. Porque o monstro aqui é a realidade. E não está no armário. É simplesmente como as coisas são.

Porque é que é o melhor?

Este é cinema que não tem medo de ser desconfortável, cruel e divertido ao mesmo tempo. Fala sobre desigualdade, mas não com slogans altos — através de jantares desconfortáveis, currículos falsos, engano em nome do conforto.
Um rapaz e uma rapariga em roupa de casa sentados ao lado de uma sanita com telemóveis nas mãos
Cena de "Parasite"
Lembro-me de ver "Parasite" pela primeira vez. Algures a meio, percebi que não me estava a entreter de todo. Estava a expor-me. A dissecar-me. A mostrar como é fina a linha entre conforto e humilhação, entre "apenas ganhar a vida" e "parasitar".

"Parasite" assusta porque não tem moral. Não tem vilão. Não tem saída certa. Há apenas o sistema. E ou estás em cima ou estás em baixo. Eu próprio não cresci rico, e algumas cenas acertaram demasiado perto de casa. Senti tudo isto — e acho que não estou sozinho.

Este filme não é sobre a Coreia — é sobre o mundo inteiro. Sobre como é fácil acabar do lado errado da porta de vidro. E como é difícil voltar. Anteriormente no estrelina.com, contámos-te sobre qual filme a estrela de "Anora", Mikey Madison, considera um dos melhores da história.
Erro no texto? Selecione-o — aparecerá um botão de envio