"The Prophecy": O Filme em Que o Ator Mais Gentil do Mundo Interpretou Lúcifer

Se você observar o ator Viggo Mortensen na vida real (entrevistas, encontros com fãs), diria: "Que amor de pessoa!" Agora imagine esse cara interpretando o Diabo.

Em homenagem ao 67º aniversário do ator, vamos revisitar aquele que pode ser o papel mais inesperado da sua carreira – em "The Prophecy" de 1995, onde Viggo interpretou nada menos que o governante do Inferno.

Mas aqui está a ironia: mesmo como Príncipe das Trevas, ele parece quase angelical.

Do que trata este filme?

A nossa personagem principal é Thomas Daggett (Elias Koteas). Quase se tornou padre, mas algo correu mal, e agora trabalha como polícia. Um dia descobre que os anjos são reais e que já desceram à Terra.

A liderá-los está o arcanjo Gabriel (interpretado por Christopher Walken). E ele não está propriamente satisfeito com a humanidade. Gabriel tem ciúmes dos humanos – Deus agora prefere-os aos anjos.

O plano dele? Encontrar a alma humana mais maligna do mundo (que infelizmente está presa no corpo de uma menina) e usá-la para derrubar Deus e tomar o poder no Céu.
Trailer de The Prophecy
Thomas, naturalmente, quer impedir Gabriel antes que ele mate a criança. E é aí que Thomas recebe ajuda de... Lúcifer (Viggo Mortensen).

Pois é, as motivações dele não são exatamente puras. Lúcifer, como todos sabemos, foi o primeiro anjo a rebelar-se contra Deus e foi expulso por isso.

Ele descobre o plano de Gabriel e decide detê-lo. Porquê? Diz claramente que não quer concorrência. Gabriel simplesmente transformaria o Céu numa versão 2.0 do Inferno, e Lúcifer não vai permitir isso.

O filme tem um final arrasador, que obviamente não vamos revelar aqui – é melhor veres por ti próprio. Vale mesmo a pena.

O Que Dizem os Espectadores?

Vamos começar pela atração principal: o próprio Lúcifer. Neste thriller, ele está o mais longe possível do Diabo típico - sem chifres, sem ameaças selvagens, nada daquele mal arquetípico a que estamos habituados.

Em vez disso, temos Viggo com olhos bondosos e cabelo solto. Mais anjo do que diabo, na verdade. Não assusta - é quase gentil. Fala com tanta calma que é fácil esquecer quem exatamente está a interpretar.

Um utilizador do Reddit, fedaykin13, disse simplesmente: "Provavelmente o meu diabo favorito no cinema."

Claro, muitos vão argumentar e mencionar o Lúcifer extravagante de Peter Stormare em "Constantine". Mas para mim, esse parece um pouco derivativo - assustador outra vez, ameaçador outra vez. O de Mortensen é completamente diferente. Não te assusta visualmente; perturba-te com a sua frieza calma.

Os espectadores no IMDb notam nas suas críticas que os filmes religiosos costumam ser aborrecidos, mas "The Prophecy" funciona porque tece habilmente o contexto religioso com liberdades criativas divertidas.
Um homem vendado com capuz, com um plano aproximado do rosto do ator Viggo Mortensen à direita
Cenas de "The Prophecy"
E a questão é esta - essas liberdades criativas não incomodam. O argumento parece uma mistura de "Supernatural" e filmes de Tarantino.

Mas a verdadeira razão pela qual este filme funciona? O elenco. Christopher Walken como o Gabriel perpetuamente irritado é magnífico.
O seu arcanjo vilão é incrivelmente poderoso e astuto, mas também não sabe conduzir e não consegue encontrar boa ajuda entre as almas perdidas que recruta como capangas.
Utilizador do IMDb MissSimonetta sobre "The Prophecy"
O filme também conta com Eric Stoltz e Amanda Plummer. Detalhe curioso: como os três (Walken, Stoltz, Plummer) apareceram em "Pulp Fiction", alguns espectadores começaram a chamar a "The Prophecy" a sua versão bíblica.

A Opinião dos Críticos

As classificações são medianas: 46% no Rotten Tomatoes e 6,4 no IMDb. Mas não deixes que isso te impeça - filmes não convencionais raramente agradam aos críticos. O thriller em si é único, especialmente no saturado género de terror religioso.

Provavelmente a única crítica real a "The Prophecy"? Os gráficos de computador. Medíocres mesmo para 1995, mas os olhos habituam-se rapidamente.

Principal conselho de quem já viu: se gostares, mantém-te bem longe das sequelas (seguiram-se mais quatro partes ao original). São, como as pessoas escrevem, absolutamente não vale a pena. E mais cedo no estrelina.com, falámos-te sobre "Bright Star": o melhor filme sobre um poeta com Ben Whishaw que perdeste.
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